Dados da indústria em fevereiro sugerem estabilidade e recuperação ainda frágil e contida

A indústria brasileira aparenta ter iniciado um ciclo de estabilidade, após, um longo período de perdas consecutivas. Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE, a produção industrial brasileira registrou em fevereiro de 2017 queda de 0,8% em relação ao mesmo mês de 2016, vindo de uma variação interanual de +1,4% em janeiro, resultado que interrompeu uma sequência de 34 perdas consecutivas. Em relação a janeiro, na série com ajuste sazonal, a indústria subiu 0,1%, após registrar queda de 0,2% no mês anterior. Esse resultado ficou mais próximo das expectativas mais pessimistas dos analistas, que esperavam uma pequena contração da atividade do setor, do que das mais otimistas, que previam expansão próxima a 1%. A REAG estimava crescimento de 0,4%. Nos últimos 12 meses, a retração acumulada é de 4,8%. Apesar da aparente boa notícia, somo cautelosos ao afirmar que a recuperação da indústria será lenta e gradual, andando de mãos dadas com a expectativa de recuperação da economia como um todo.

Apesar do resultado modesto de fevereiro, outros dados referentes ao desempenho da indústria divulgados recentemente indicam quadro de início de estabilidade e de fato sugerem uma reversão para a atividade manufatureira, mesmo que ainda frágil e contida, a exemplo dos números do setor automotivo, aliados aos sinais dos indicadores prospectivos. Ponderamos, contudo, que algo semelhante ocorreu na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2016, mas a melhora não se sustentou. A diferença entre hoje e o momento de otimismo no ano passado é a desaceleração da inflação, a qual tem impactado positivamente sobre a renda e a postura da política monetária, até então contracionista e agora em uma trajetória de distensão, a despeito da deterioração no mercado de trabalho.

Além disso, a utilização da capacidade instalada tem aumentado, embora permaneça em patamar historicamente muito baixo. Isso indica que o número de máquinas paradas tem diminuído e que a produção pode entrar em uma tendência de crescimento nos próximos meses. Ressaltamos também que as exportações de bens manufaturados tiveram desempenho positivo em março. Além do mais, índices de confiança de empresários do setor apresentam forte recuperação desde o início do ano, embora também sigam em nível historicamente baixo. Há maior otimismo em relação ao futuro e também melhora da percepção da situação atual. A mesma tendência tem sido apontada pelos dados de confiança dos consumidores. Quando o país ensaiou uma recuperação que não se sustentou em meados do ano passado, empresários e consumidores mostravam maior otimismo em relação ao futuro, mas tinham avaliação negativa do presente. O fato de que ambos os indicadores estão em expansão agora reforça a percepção de recuperação, ainda que lenta, da economia.

Para este ano, esperamos que a indústria cresça 2,2%, após dois anos seguidos de perdas. Em março, projetamos crescimento magro, de 1,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior (série original) e alta de 0,05% frente ao mês imediatamente anterior (série dessazonalizada).grafico 1 industriagrafico 2 industriagrafico 3 industria

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