Agenda Econômica Semanal – 31 de outubro a 6 de novembro de 2016

Com o feriado de Finados na quarta-feira, a agenda doméstica desta semana trará poucos dados, dos quais destacamos o resultado da produção industrial de setembro (IBGE, na terça-feira). Esse indicador deverá fortalecer nossa expectativa de contribuição negativa da atividade industrial para o PIB do terceiro trimestre. Apesar de projetarmos alta de 0,2% na margem, a elevação será aquém da necessária para reverter o forte recuo observado em agosto. A melhora dos indicadores coincidentes como o de produção de veículos da Anfavea (14,1%, m/m), o de Nível de Utilização de Capacidade Instalada da FGV (1,2%, m/m) e das expectativas dos empresários do setor (1,6%, m/m) dão suporte a nossa avaliação. No mesmo dia, será divulgado o número de emplacamentos de veículos da Fenabrave referente a outubro, um dos primeiros indicadores de atividade do início do quarto trimestre. Também na terça-feira, conheceremos o saldo da balança comercial de outubro, para o qual esperamos superávit de US$ 3 bilhões, resultado que ainda deverá mostrar exportações e importações em ritmo fraco. As sondagens da FGV de outubro sobre a leitura final do índice de confiança do setor industrial e a sondagem do setor de serviços sairão na segunda-feira. No quesito inflação, esperamos que o IPC-Fipe da 4ª quadrissemana de outubro (sexta-feira) deve apresentar aceleração de 0,18% para 0,26%, refletindo a intensificação do ritmo de alta dos grupos de Transportes, das Despesas pessoais e da Saúde. Os números de inflação da FGV (terça-feira) devem mostrar aceleração de 0,24% para 0,29%, puxado pelos grupos de Transportes, Saúde e cuidados pessoais e Comunicação. No geral, merece destaque o aumento no preço do Etanol nas usinas, mais do que compensando a redução de preços da gasolina na refinaria, promovida pela Petrobras. Com isso o preço dos combustíveis continuará subindo para o consumidor final. Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 31 de outubro a 6 de novembro de 2016

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Taxa de desemprego fica em 11,8% no 3º trimestre, maior patamar da série desde 2012

O desemprego se mantém em alta, a renda familiar encolhe e o consumo deve continuar deprimido ainda por um tempo, antes de alguma animação aparecer nos mercados. É o que se pode concluir do resultado da Pnad Contínua de setembro divulgada hoje, a qual aponta taxa de desemprego em 11,8% no terceiro trimestre de 2016, posicionando-se no maior patamar já apurado pela série histórica do levantamento, iniciado em 2012 pelo IBGE. Esse resultado ficou bastante além do medido em igual período do ano passado, quando a taxa de desocupação era de 8,9%, um crescimento de 0,5 ponto percentual em relação ao período entre abril e junho deste ano (desocupação de 11,3%), mas mantendo-se estável em relação ao trimestre encerrado em agosto deste ano (também em 11,8%). Continuar lendo Taxa de desemprego fica em 11,8% no 3º trimestre, maior patamar da série desde 2012

Cauteloso, Copom defende flexibilização moderada e gradual da Selic

O Banco Central volta a afirmar que uma possível intensificação na velocidade dos futuros cortes da taxa básica de juros dependerá da “evolução favorável de fatores”. Na ata da última reunião do Copom, que reduziu o juro de 14,25% para 14%, os membros do comitê argumentam que “a convergência da inflação para a meta para 2017 e 2018 é compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias”. Apesar de ainda frágeis os fatores técnicos que justificam o início da flexibilização da política monetária, a ata sustenta nossa aposta de que a autoridade monetária optará por novo corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião do Copom, em novembro, trazendo a Selic para 13,75% ao ano. Continuar lendo Cauteloso, Copom defende flexibilização moderada e gradual da Selic

Agenda Econômica Semanal – 24 a 31 de outubro 2016

A Ata do Copom (terça-feira) será o destaque da agenda econômica nesta semana e deverá trazer informações adicionais sobre os próximos passos da política monetária, especialmente em relação ao ritmo e à magnitude do ciclo atual. No comunicado da reunião em que o Banco Central reduziu a taxa de juros básica de 14,25% para 14,0% ao ano, por decisão unânime, a autoridade monetária mostrou postura cautelosa, diante da resistência da inflação de serviços e das incertezas ligadas às reformas fiscais. Na Ata, o Banco Central deve manter o tom de cautela, sinalizando que a flexibilização da política monetária será gradual e que o ritmo de queda dos juros dependerá do andamento do ajuste fiscal e da trajetória de desinflação dos componentes do IPCA mais sensíveis aos juros e à atividade econômica. Por meio do documento, a expectativa é de que o Banco Central terá a oportunidade de aprofundar a discussão sobre esses pontos, o que deverá ser visto pelo mercado como fundamental para a formação das expectativas sobre a dinâmica dos juros nesse início de ciclo de flexibilização da política monetária. Acreditamos que a retomada mais gradual da atividade, frustrando as expectativas, deverá contribuir para o processo de desinflação em curso, o que levará o Banco Central a acelerar o ritmo dos próximos cortes da Selic. Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 24 a 31 de outubro 2016

IBC-Br de agosto confirma retração econômica no 3º trimestre

Em agosto, a economia brasileira manteve o ritmo de retração, com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontando queda de 2,72% na variação interanual, configurando a 17ª queda consecutiva nesta comparação e perda de 0,9% (com ajuste sazonal) na passagem de julho para agosto. Essa leitura foi influenciada pelos resultados negativos na produção industrial (-5,3% YoY e -3,8% MoM), no varejo ampliado (-7,7% YoY e -2,0% MoM) e no setor de serviços (-4,0% YoY e de -1,6% MoM). Apesar da melhora nos indicadores de confiança, os recentes resultados de atividade têm decepcionado, corroborando a incompatibilidade entre expectativa e realidade. O número de agosto reforça integralmente a projeção de que teremos nova perda econômica no terceiro trimestre deste ano. Continuar lendo IBC-Br de agosto confirma retração econômica no 3º trimestre

Corte na Selic para 14% foi politicamente necessário, mas tecnicamente arrojado

Após quatro anos de aperto na política monetário, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano, dando início a novo ciclo de flexibilização dos juros. A decisão foi unânime, anunciada ontem no início da noite, e foi de encontro à previsão da REAG. Foi o primeiro corte desde outubro de 2012, quando a Selic chegou a um piso histórico de 7,25% ao ano, durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. A atitude de iniciar agora a flexibilização da política monetária frente ao atual cenário macroeconômico ainda recessivo foi uma ação politicamente necessária, mas tecnicamente arrojada, em um ambiente que prevê fechar o IPCA de 2016 em 7% e o de 2017 acima de 5%, taxas ainda bastante salgadas frente ao centro da meta em 4,5%. Continuar lendo Corte na Selic para 14% foi politicamente necessário, mas tecnicamente arrojado

Varejo ainda tropeça na recessão, com crescimento sustentado só no 2º trimestre de 2017

Não obstante da perspectiva de melhora na confiança do consumidor, cujo indicador da FGV tem crescido desde maio, o comércio varejista ainda tropeça na recessão que assola o país há dois anos. Em agosto, o comércio varejista seguiu enfraquecido, registrando queda marginal (sobre julho, descontado os efeitos sazonais) do volume de vendas de 0,6% no conceito restrito (que desconsidera o setor automotivo e de material para construção) e uma expressiva queda de -2% no ampliado. Com relação a agosto de 2015, as vendas recuaram 5,5% no varejo restrito (17ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação) e -7,7% no ampliado (27ª queda consecutiva). Continuar lendo Varejo ainda tropeça na recessão, com crescimento sustentado só no 2º trimestre de 2017

Agenda Econômica Semanal – 17 a 23 de outubro de 2016

Após quatro, Banco Central deve anunciar corte nos juros esta semana

A reunião de política monetária do Banco Central (quarta-feira) será o destaque da agenda da semana. Após quatro anos do último corte na taxa Selic, o Copom do Banco Central volta a se reunir nesta semana e deve dar início a um novo ciclo de diminuição do juro básico da economia, hoje em 14,25% ao ano. A grande dúvida é se a decisão será mais precavida, com redução de 0,25 ponto percentual, ou mais combativa, de 0,50. A esperança de que o Brasil voltará a ter uma política monetária mais frouxa é baseada nos últimos números que mostram inflação menos pressionada, e foi reforçada com a decisão da Petrobras de reduzir o preço dos derivados de petróleo nas refinarias. Com a ajuda dos preços dos alimentos menos apimentados, o IPCA desacelerou para 0,08% em setembro, abaixo do esperado pelo mercado e a menor taxa para o mês desde 1998. A divulgação do IPCA-15 de outubro (sexta-feira), deverá reforçar a trajetória de descompressão da inflação, para o qual projetamos alta de 0,21%, ainda refletindo o alívio dos preços de alimentação. Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 17 a 23 de outubro de 2016

Corte no preço da gasolina é ato mais simbólico do que efetivo no curto prazo

A redução anunciada hoje nos preços da gasolina e do óleo diesel pela Petrobras deve ser entendida como um gesto mais simbólico do que efetivo, visando engordar as justificativas da próxima decisão do Copom para iniciar o ciclo de descompressão na política monetária. Aliado ao dólar mais comportado (abaixo de R$ 3,20), à forte desaceleração do IPCA (que passou de 0,44% em agosto para 0,08% em setembro) e à aprovação da PEC dos gastos públicos (em primeiro turno na Câmara dos Deputados), a redução do preço dos combustíveis nas refinarias sustentará a decisão de o Banco Central cortar a Selic em pelo menos 0,25 ponto porcentual na reunião do Copom de outubro. Continuar lendo Corte no preço da gasolina é ato mais simbólico do que efetivo no curto prazo

Brasil tem 4,8 milhões de trabalhadores subocupados

No segundo trimestre deste ano, o Brasil contabilizou 4,7% das pessoas na força de trabalho (102,4 milhões) trabalhando menos do que gostariam, o equivalente a 4,8 milhões de pessoas subocupadas de acordo com os novos indicadores sobre o mercado de trabalho divulgados nesta quinta-feira IBGE. O dado é um complemento da Pnad Contínua e corresponde a 5,3% do total de trabalhadores empregados (90,8 milhões).

É a primeira vez que o IBGE divulga indicadores de subocupação, cujo conceito diz respeito ao total de pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais, mas estão dispostas ou precisam trabalhar mais. Segundo a pesquisa, 4,8 milhões de pessoas estavam subocupadas ao final do segundo trimestre deste ano, com alta de 17% comparativamente aos 4,1 milhões de pessoas nessa condição nos primeiros três meses do ano. Continuar lendo Brasil tem 4,8 milhões de trabalhadores subocupados