Agora sim parece que a economia inicia uma pífia trajetória de crescimento

Os indicadores econômicos de junho surpreenderam positivamente, reiterando a tese de que a recessão iniciada há três anos está finalmente sendo deixada para trás. Nossa avaliação indica que o ponto de inflexão começa a se solidificar nesse segundo trimestre do ano, período no qual os dados da produção industrial, do varejo e dos serviços mostraram alguma força, mesmo que ainda tímida e instável. Nossa análise, contudo, ainda segue precavida, atenta ao ambiente político doméstico e, sobretudo, a hipótese de uma aceleração do ritmo de aumento dos juros nos Estados Unidos. Continuar lendo Agora sim parece que a economia inicia uma pífia trajetória de crescimento

Ao contrário do varejo, setor de serviços ainda não entrou em rota de recuperação

A sequência de três resultados positivos consecutivos entre abril e junho deste ano não foi suficiente para tirar o setor de serviços do negativo na comparação anual. O setor ainda patina e não encontrou o caminho para a recuperação econômica, segundo a leitura de junho (IBGE) que aponta crescimento de 1,3% em junho na comparação com o mês anterior (abril: +1,1% e maio: +0,5%), mas na comparação com junho do ano passado, o volume de serviços prestados diminuiu 3,0%. A taxa acumulada em 12 meses ficou negativa em 4,7%. Em outras palavras, ainda não houve reversão na curva em 12 meses. Continuar lendo Ao contrário do varejo, setor de serviços ainda não entrou em rota de recuperação

Novas metas fiscais dificilmente serão cumpridas, mas dão fôlego no curto prazo

O governo anunciou ontem uma nova revisão na meta fiscal de 2017 e de 2018, com o objetivo de alcançar um déficit primário anual de R$ 159 bilhões. A meta anterior era de R$ 139 bilhões para este ano e de R$ 129 bilhões para 2018. Para garantir seu cumprimento, o governo propõe um pacote de medidas que se adotadas renderão R$ 14 bilhões aos cofres públicos. Pelo lado da receita, a principal medida é a tributação de fundos de investimentos exclusivos, o que deverá gerar receita adicional de R$ 6 bilhões. Já pelo lado dos custos, o governo propõe cortes nas despesas com os servidores públicos, como a desoneração da folha que deverá gerar economia de pelo menos R$ 4 bilhões. Na nossa opinião, a revisão da meta fiscal era algo inevitável e previsível, resultado do caos nas contas públicas no país. Contudo, mesmo prevendo um rombo maior, dificilmente o governo conseguirá cumprir a nova meta já que o ajuste proposto depende da aprovação no Congresso e de pulso firme na continuidade das reformas trabalhista e previdenciária. Continuar lendo Novas metas fiscais dificilmente serão cumpridas, mas dão fôlego no curto prazo

Comércio surpreende e vem parrudo em junho: +1,2% na margem e +3% na variação interanual

Após decepcionar em maio, o comércio varejista voltou a surpreender em junho, mas dessa vez positivamente, com alta marginal de 1,2% no volume de vendas pelo conceito restrito (ante maio, descontado os efeitos sazonais) e uma na margem de 2,5% no varejo ampliado (que inclui os setores automotivo e de materiais para construção). Na comparação interanual (frente a junho do ano anterior), o setor no âmbito restrito teve expansão de 3,0% em junho, o terceiro resultado positivo consecutivo nessa base de comparação e mais intenso que em maio (2,6%) e abril (1,7%), interrompendo 24 meses seguidos de queda. No varejo ampliado, o avanço interanual foi de 4,4%. Na nossa avaliação já é possível considerar uma tendência de retomada do ânimo no comércio. Continuar lendo Comércio surpreende e vem parrudo em junho: +1,2% na margem e +3% na variação interanual

[REAG] Agenda Econômica Semanal – 14 a 20 de agosto de 2017

Nesta semana, comércio deve mostrar os primeiros sinais de recuperação do consumo

Afora dos sinais de recuperação do mercado de trabalho nos últimos meses, devemos observar nesta semana o impacto dos saques do FGTS e as condições mais favoráveis de crédito nos indicadores econômicos. A expectativa é de que os resultados das pesquisas do comércio e de serviços de junho apresentarão novos indicativos do movimento de recuperação lenta e gradual da economia. Continuar lendo [REAG] Agenda Econômica Semanal – 14 a 20 de agosto de 2017

IPCA vem com alta de 0,24% em julho e fica abaixo do piso da meta pela 1ª vez desde março de 2007 e no patamar mais baixo desde 1999

Após apresentar a primeira deflação desde 2006, de 0,23% em junho, o IPCA de julho mudou de direção e registrou elevação de 0,24%. Os principais fatores que respondem por esse movimento foram o aumento na conta de luz e a alta dos combustíveis. Apesar da aceleração, essa foi a menor taxa para o IPCA em julho desde 2014 (0,01%). No acumulado em 12 meses, o IPCA seguiu ladeira abaixo ao marcar alta de 2,71% até julho, abaixo dos 3% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores. Foi a menor taxa para essa base de comparação desde fevereiro de 1999 (2,24%). O resultado colocou o indicador acumulado em 12 meses abaixo do piso da meta de inflação, de 3% neste ano – a meta é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No ano, a inflação oficial acumula agora alta de 1,43%, bem abaixo dos 4,96% registrados em igual período de 2016. O acumulado do ano é o menor da série desde o início do Plano Real. Continuar lendo IPCA vem com alta de 0,24% em julho e fica abaixo do piso da meta pela 1ª vez desde março de 2007 e no patamar mais baixo desde 1999

Agenda Econômica Semanal – 7 a 13 de agosto de 2017

Posteriormente ao Banco Central sinalizar que cortará a taxa Selic em mais 100 basis points (bps) na próxima reunião para 8,25% a.a., os índices de preços que serão divulgados nesta semana serão os destaques da agenda doméstica. Os indicadores de inflação devem reforçar o cenário prospectivo benigno, com destaque para o comportamento dos núcleos. Os efeitos do aumento de impostos sobre combustíveis devem começar a ser percebidos nos índices, que ainda assim devem permanecer com variações em patamares baixos. Para o IGP-DI de julho (terça-feira), estimamos queda de 0,42%, incorporando uma parte do impacto altista da elevação de PIS/Cofins sobre combustíveis. Apesar disso, os preços agrícolas e industriais deverão seguir com variações negativas, contratando mais desinflação para o consumidor. O IPCA de julho (quarta-feira) deverá registrar alta de 0,15%, também refletindo parte do efeito da alta dos preços dos combustíveis. Os núcleos devem continuar em patamar bem-comportado, assim como alimentação, que deve continuar no campo deflacionário. De fato, não vemos pressões altistas da inflação e mantemos nosso cenário de elevação do IPCA de 3,7% neste ano. Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 7 a 13 de agosto de 2017

[REAG] Cenário Macroeconômico julho/agosto 2017: economia doméstica continua empacada por conta do caos político

Apesar de a inflação, a economia internacional e as contas externas seguirem por trajetórias benignas, a retomada do crescimento não deslancha e continua empacada. Os dois principais fatores que confessadamente inibem uma retomada cíclica mais vigorosa é o problema fiscal e o caos político. A situação crítica das contas públicas não será resolvida com políticas de ajuste de curto prazo nem com a impopularidade do governo Michel Temer. As incertezas no âmbito político reduzem a confiança dos agentes econômicos que adiam seus planos de consumo e investimento, com impactos negativos e perversos sobre a retomada da economia. Como é comum ocorrer em períodos de retomadas cíclicas, esperava-se que os investimentos fossem um dos principais drivers para o crescimento da demanda. Porém, esse componente do PIB é muito sensível ao nível de confiança sobre o desempenho futuro da economia. Com um governo central cada vez mais anêmico, a crise política dificulta uma reação à deterioração fiscal. A reforma da Previdência, principal medida para desacelerar o aumento do gasto público e permitir uma estabilização, ainda que lenta e gradual, ficou mais difícil de passar pelo Congresso. A própria luta política pela sobrevivência reduz os graus de liberdade do governo para conter o gasto no dia a dia e complica a gestão das contas públicas, a começar pela capacidade do governo de atingir a meta de déficit primário para 2017.

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Agenda Econômica Semanal – 31 de julho a 4 de agosto de 2017

Será divulgada na terça a ata da reunião do último Copom, encontro em que o Banco Central reduziu a Selic de 10,25% para 9,25%. Ao sinalizar a possibilidade de manutenção desse ritmo em sua próxima reunião, a divulgação da Ata atrairá as atenções do mercado, que poderá reavaliar suas expectativas para a extensão total do ciclo de afrouxamento monetário. No comunicado emitido após a reunião, a autoridade monetária retirou a expressão “redução moderada” do ritmo de flexibilização monetária, o que trouxe redução da projeção de inflação de 2017 e 2018.

 Dada a significativa desinflação em curso e as constantes surpresas baix Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 31 de julho a 4 de agosto de 2017

Informalidade reduz desemprego para 13% em junho, em movimento pontual

A taxa de desemprego, medida pela PNAD do IBGE, atingiu 13% no trimestre móvel encerrado em junho, atingindo 13,5 milhões de pessoas. O número veio com significativo recuo comparativamente ao trimestre encerrado em maio, quando a taxa de desemprego estava em 13,7%. Por outro lado, o resultado ficou 1,7 ponto percentual acima da taxa registrada em junho de 2016, quando o desemprego era de 11,3%. Esse comportamento se deveu a um expressivo avanço da População Ocupada (criação líquida de postos de trabalho), sobretudo das posições Emprego no Setor Privado Sem Carteia e Empregador. Ou seja, a leitura de junho mostrou fortalecimento da ocupação no setor informal, paralelamente a uma estabilização da taxa de participação. Apesar de o avanço no setor informal ter surpreendido, avaliamos tal movimento como pontual, devendo perder força nos próximos meses. Continuar lendo Informalidade reduz desemprego para 13% em junho, em movimento pontual