É bem possível que Banco Central não cumpra a meta da inflação em 2017… porque o IPCA ficou abaixo do limite inferior de 3%

É bem possível vivenciarmos neste ano algo inusitado: pela primeira vez desde a adoção do regime de metas de inflação no país a autoridade monetária muito possivelmente o Banco Central deverá vir a público justificar o porquê de a meta não ter sido cumprida, ficando abaixo do limite inferior de tolerância, de 3%. De acordo com dados divulgados hoje pelo IBGE, a leitura de novembro do índice de preços ao consumidor utilizado oficialmente para balizar a política de meta inflacionária, o IPCA, acumula altas de 2,50% no ano e de 2,80% nos últimos 12 meses. O resultado acumulado nos 11 primeiros meses de 2017 é o menor para o período desde 1998 (+1,32%), ao passo que é a quinta vez consecutiva que o indicador acumulado em 12 meses ficou abaixo de 3%. A inflação medida pelo IPCA desacelerou para 0,28% em novembro, de 0,42% em outubro. No mesmo mês de 2016, a alta havia sido de 0,18%. Continuar lendo É bem possível que Banco Central não cumpra a meta da inflação em 2017… porque o IPCA ficou abaixo do limite inferior de 3%

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Selic vai a 7%, a menor taxa desde sua criação (jul/97), e se iguala à TJLP

Em outras palavras, estimamos que o juro estrutural ou neutro, aquele suficiente para manter a economia em crescimento sem pressões inflacionárias vindas da demanda, esteja muito mais próximo de 5% do que dos 3% necessários hoje para que o Banco Central decretasse missão cumprida da sua política monetária. Os países desenvolvidos calculam os juros neutros com base na média das taxas reais dos últimos dez anos. Por esse cálculo, nos anos 1980 os juros reais eram de 20% ao ano, caíram para a faixa de 10% entre os anos 1990 e 2000 e de 2010 em diante estão na casa de 5%. Contudo, devido à grande variância histórica, muitos analistas preferem outras formas de cálculo: (i) para um período de cinco anos; (ii) a partir do swap DI descontada a inflação projetada, ou (iii) com base nos juros das NTN-Bs – títulos públicos federais indexados ao IPCA. Calculado a partir do Swap DI 360 menos IPCA 12 meses em base diária, o juro real médio dos últimos 10 anos (entre novembro de 2007 e novembro de 2017) é de 5,6%, dos últimos 5 anos (novembro de 2012 até novembro de 2017) é de 5,07% e de 5 anos encerrados em 2016 é de 5%. No caso da NTN-B, o juro real varia de 4,2% a 5,2%. Em outras palavras, a tarefa de o Copom trazer a taxa real de juros o mais próxima possível da taxa neutra de juros ainda não foi satisfatoriamente cumprida e mais, até não há perspectivas de que isso acontecerá no próximo ano. Continuar lendo Selic vai a 7%, a menor taxa desde sua criação (jul/97), e se iguala à TJLP

Cenário Macroeconômico novembro/dezembro 2017: em compasso de espera para as eleições de 2018, algumas certezas já se consolidam no horizonte

Quanto mais próximos ficamos do final deste ano, solidifica-se a perspectiva de que é diminuto o espaço para mudanças na política econômica no curto prazo e que mudanças mais profundas terão de aguardar 2019. A esperança de algo diferente ocorrerá recai sobre a possível aprovação de uma emergencial reforma da Previdência, em formato mais enxuto que a proposta original. E caso nada de novo aconteça no Congresso Nacional, as expectativas benignas dos agentes econômicos provavelmente vão se dissipar velozmente, ficando apenas em compasso de espera do que virá pela frente no ainda indefinido ano eleitoral de 2018. Continuar lendo Cenário Macroeconômico novembro/dezembro 2017: em compasso de espera para as eleições de 2018, algumas certezas já se consolidam no horizonte

Indústria tem maior alta em outubro desde 2013, mas processo não é espargido com produção ainda em níveis similares a 2009

A leitura da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de outubro reforça que a retomada da economia está em curso, mas que ainda é moderada e que o processo não é disseminado. Segundo o IBGE, a produção industrial brasileira registrou, em outubro de 2017 alta de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2016, ante variação interanual de +2,5% em setembro. É a maior alta neste tipo de comparação desde abril de 2013. Em relação a setembro, o avanço foi de 0,2%, a segunda alta mensal consecutiva após avançar 0,3% no mês anterior e recuar -0,8% em agosto. Apesar do avanço no mês, a produção da indústria está em níveis similares a 2009. Dessa forma, a média móvel trimestral terminada em outubro voltou para campo negativo (-0,1%) após se situar em alta por cinco meses consecutivos. A volatilidade nos últimos dados é esperada em momentos pós-crise, com o processo de retomada ainda heterogêneo. O aumento reflete a queda de juro, a gestão de política econômica melhor. A expectativa é que o setor comece a mostrar crescimento mais consistente daqui para a frente. Continuar lendo Indústria tem maior alta em outubro desde 2013, mas processo não é espargido com produção ainda em níveis similares a 2009

Agenda Econômica Semanal – 4 a 10 de dezembro de 2017

Semana terá decisão do Copom, IPCA e produção industrial

Reunião do COPOM, IPCA e produção industrial serão os destaques desta semana. Na quarta-feira, ocorrerá o principal evento da semana, a reunião do Copom. No encontro, o Banco Central deve reduzir a taxa de juro básica da economia de 7,50% para 7,00% e sinalizar que o cenário base da instituição segue inalterado. Avaliamos também que a autoridade monetária deve deixar em aberto a possibilidade de voltar a cortar a taxa básica em seu próximo encontro (fevereiro). Por ora, para a reunião de fevereiro, acreditamos que a instituição deve cortar a Selic em 0,25pp e, com isso, encerrar o ciclo de cortes em 6,75%. A decisão se justifica basicamente pela manutenção do cenário benigno de inflação, com núcleos bem-comportados. Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 4 a 10 de dezembro de 2017

PIB fica estável no 3T17 e reforça nossa projeção de retomada lenta e gradual da economia

A retomada do crescimento econômico já é fato: estamos saindo da recessão, mas certamente a velocidade da recuperação será lenta e gradual, com possibilidade de solavancos por conta do ambiente político. Em outras palavras, a atividade deixou o fundo do poço e está reagindo lentamente. Esse é o parecer da REAG após analisar os dados do PIB no terceiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE. No 3T17, a economia brasileira cresceu apenas 0,1% em relação aos três meses imediatamente anteriores. Por um lado, foi o terceiro crescimento seguido nessa base de comparação, mas por outro lado o número representa uma queda em relação às divulgações anteriores – que tiveram altas de 1,3% e 0,7%. De qualquer forma, nas diferentes bases de comparação (vide gráficos abaixo) é notável a tendência de recuperação. Continuar lendo PIB fica estável no 3T17 e reforça nossa projeção de retomada lenta e gradual da economia

Agenda Econômica Semanal – 27 de novembro a 3 de dezembro de 2017

Agenda desta semana traz indicadores de atividade benignos, reforçando o cenário de recuperação lenta e gradual

Os indicadores de atividade deverão continuar reforçando o cenário de recuperação gradual da economia. O PIB do terceiro trimestre (sexta-feira) deverá crescer 0,2%, puxado novamente pela boa dinâmica do consumo das famílias (esperamos alta de quase 1% na margem), amparado pelo ambiente de baixa inflação e melhora no emprego. Do lado da oferta, o destaque deve ser a indústria (+1,0%), em razão das condições mais favoráveis ao investimento devido à queda de juros e ao aumento das encomendas do varejo. O setor de serviços (+0,5%) também deve ajudar, refletindo a melhora gradual do emprego e varejo. Do lado da demanda, o destaque deve ser o Investimento. Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 27 de novembro a 3 de dezembro de 2017

Agenda Econômica Semanal – 20 a 26 de novembro de 2017

Semana terá o IPCA-15 de novembro e as atas do Fed e BCE

Esperamos aceleração do IPCA-15 de novembro (quinta) que deve passar de 0,34% (em outubro) para 0,38%, em razão do encarecimento das contas de luz provocado pela adoção da bandeira tarifária vermelha nível 2 e pela sobretaxa, que entrou em vigor em 1º de novembro. Além disso, a alta no preço do gás de botijão e a intensificação do ritmo de alta da gasolina também devem contribuir para o avanço do índice. Se confirmado, em 12 meses, o IPCA-15 registrará aceleração de 2,56% para 2,71%, o que representará a 1ª aceleração anual desde setembro do ano passado. Na sexta, o INCC-M deve acelerar de 0,20% para 0,38% em novembro devido aos maiores custos com a mão de obra da construção civil. Apesar disso, o núcleo da inflação deve continuar bem-comportado em novembro, uma vez que o ritmo de crescimento da economia continua abaixo do potencial. Assim, com núcleos dos índices de inflação deverão oscilar ao redor de 3,5% em 6 meses, cuja principal leitura continua sendo de inflação benigna e com espaço para continuidade do ciclo de redução de juros. Continuar lendo Agenda Econômica Semanal – 20 a 26 de novembro de 2017