Paralisação dos caminhoneiros leva IPCA de maio muito além das projeções (+0,40%) e REAG prevê inflação perto de 0,80% em junho

O IPCA subiu 0,40% em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE, superando largamente as expectativas da REAG (+0,29%) e do mercado (mediana em +0,30%), com projeções que variavam de +0,20% até +0,50%. A alta foi pressionada basicamente pelo aumento mais forte nos preços dos combustíveis e os impactos diretos e indiretos da paralisação dos caminhoneiros no consumo. O indicador ficou 0,18 ponto porcentual maior que o registrado em abril (+0,22%). No acumulado do ano, a alta foi de 1,33%, o menor nível para um mês de maio desde a implantação do Plano Real, em 1994. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 2,86%. A taxa segue abaixo do piso da meta do governo – que é de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto porcentual para baixo (3%) ou para cima (6%).

ipca

Basicamente, a inflação apurada em maio veio muito além das projeções econômicas por conta do impacto da greve dos caminhoneiros que apimentou os preços ao consumidor final. Diretamente, o resultado decorre da alta de 3,34% na gasolina e de +6,16% no óleo diesel. E indiretamente, a greve dos caminhoneiros pesou mais forte no grupo alimentação e bebidas (+0,32%), influenciado pela alta da cebola (+32,36%), da batata-inglesa (+17,51%), das hortaliças (+4,15%) e o leite longa vida (+2,65%). A REAG projeta que a paralisação dos caminhoneiros ainda será sentida na inflação dos meses de junho e julho.

Além dos impactos dos combustíveis e dos alimentos acima do previsto para o mês, a alta do IPCA em maio foi pressionada pela alta da energia elétrica (+3,53%) e do gás encanado (+0,91%). A elevação na conta de luz reflete a mudança da bandeira tarifária para amarela, adicionando cobrança de 0,01 reais a cada kwh consumido. O reajuste de 1,87% nas tarifas no Rio de Janeiro (1,70%) desde 1º de maio contribuiu para o preço do gás.

E para entornar mais o caldo, o resultado do IPCA de maio veio com uma mudança metodológica: passou a incorporar em seu cálculo a nova metodologia de apropriação das variações dos itens mão de obra para pequenos reparos e empregado doméstico, além das três novas áreas: Rio Branco/AC, São Luís/MA e Aracaju/SE. Essas “novidades” também vieram com os preços inflados por conta do contágio da greve dos caminhoneiros, cuja previsão sem série histórica dificultou colocar a variável mais assertivamente nas projeções.

Os recentes impactos causados pelo desabastecimento provocaram e vão continuar causando, ao menos no curto prazo, altas nos preços no varejo, com destaque para os agropecuários, como também de combustíveis veiculares. Por conta do evento das paralisações, a REAG revisou suas projeções e prevê que o IPCA de junho venha muito próximo a +0,8%, com os efeitos da crise do abastecimento minguando nos meses seguintes.

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