É bem possível que Banco Central não cumpra a meta da inflação em 2017… porque o IPCA ficou abaixo do limite inferior de 3%

É bem possível vivenciarmos neste ano algo inusitado: pela primeira vez desde a adoção do regime de metas de inflação no país a autoridade monetária muito possivelmente o Banco Central deverá vir a público justificar o porquê de a meta não ter sido cumprida, ficando abaixo do limite inferior de tolerância, de 3%. De acordo com dados divulgados hoje pelo IBGE, a leitura de novembro do índice de preços ao consumidor utilizado oficialmente para balizar a política de meta inflacionária, o IPCA, acumula altas de 2,50% no ano e de 2,80% nos últimos 12 meses. O resultado acumulado nos 11 primeiros meses de 2017 é o menor para o período desde 1998 (+1,32%), ao passo que é a quinta vez consecutiva que o indicador acumulado em 12 meses ficou abaixo de 3%. A inflação medida pelo IPCA desacelerou para 0,28% em novembro, de 0,42% em outubro. No mesmo mês de 2016, a alta havia sido de 0,18%.

IPCA

Em outras palavras, a alta do IPCA de dezembro precisa ser superior a 0,49% para que o indicador feche o ano acima do piso de 3%. Contudo, a REAG projeta que o IPCA deverá apurar alta entre 0,34% e 0,40% em dezembro, fazendo com que o indicador encerre o ano com inflação entre 2,84% e 2,91%. Em outras palavras, é grande a probabilidade de a autoridade monetária ter de escrever uma carta explicando o porquê de não ter cortado mais os juros com vistas ao cumprimenta da meta da política monetária. Esse “ineditismo” de uma carta aberta para justificar uma inflação abaixo do combinado é basicamente explicado pela pressão benigna e baixista dos preços dos alimentos, que vem em derrocada basicamente por conta dos bons ventos que sopram no setor agropecuário brasileiro. A super-safra e a ajuda climática têm muito a dizer sobre isso, além do esperado pelos economistas que conduzem a política monetária.

A última vez que o BC teve de escrever uma carta aberta justificando o descumprimento das metas de inflação foi em 2015, quando o IPCA acumulado foi de 10,67%, bem acima do centro da meta, de 4,5%, e também do limite superior da banda de oscilação, de 6,5%. Segundo dados do BC, desde 1999, em apenas três vezes o resultado da inflação acumulada ficou próximo ao ponto central da meta (2000, 2007 e 2009). Em todos os demais anos, a inflação encerrou o período acumulado acima da meta, sendo que em quatro deles (2002, 2003, 2004 e 2016) chegou a superar o teto vigente no ano.

Surpresas acontecem: o IPCA de novembro ficou abaixo da mediada de 0,35% estimada pelo consenso de mercado. O intervalo das projeções ia de alta de 0,31% a 0,47%. No acumulado de 12 meses, a expectativa era de alta de 2,88%. O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,38% no IPCA de novembro, a sétima queda mensal seguida. De janeiro a novembro, a queda de 2,40% é a maior desde a implantação do Plano Real. Em 12 meses, o grupo recua 2,32%. O movimento foi puxado pela “alimentação no domicílio”, com recuo de 0,72%. Apesar de o grupo Alimentação e Bebidas ter registrado deflação, os preços relativos à “alimentação fora de casa” apresentou alta de 0,21% devido basicamente ao peso dos custos dos restaurantes, como mão de obra, luz e gás. Por conta deste resultado abaixo do esperado no IPCA de novembro, revimos nossa expectativa para o IPCA em 2017 de +3,0% para +2,8%, mas mantivemos em +4,8% a projeção para 2018.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s