Cenário Macroeconômico setembro/ outubro 2017: otimismo ajuda a dar um empurrãozinho no crescimento econômico, mas sozinho não resolve tudo

O ambiente benigno de queda da inflação e dos juros associado a uma sequência de indicadores positivos de produção e do consumo nos últimos dias propiciam uma onda de otimismo na economia doméstica. As projeções de crescimento do PIB estão subindo, o país entrou em viés de alta. Nesse sentido, o fortalecimento da confiança que vai tomando corpo em todo o país, a começar pelo mercado financeiro, é uma boa notícia. Esse movimento deve estimular a alta do consumo e, eventualmente, espera-se, do investimento, reduzindo a ociosidade da economia e elevando o emprego, com repercussões positivas sobre as contas públicas e a saúde financeira das empresas e das famílias.

Essa visão positiva sobre a economia resulta de uma combinação de boa gestão da política econômica, inclusive de reformas que avançam, a despeito do lamaçal político e de surpresas diversas, tai como: (i) a recuperação generalizada do crescimento global que, sem gerar pressões inflacionarias, não alterou a perspectiva de que a liquidez internacional se mantenha alta; (ii) o enfraquecimento do dólar frente ao real e outras moedas (iii) e a alta no preço das commodities, que ajuda a fortalecer nossas contas externas.

As boas notícias do âmbito nacional vêm basicamente dos indicadores de atividade, com destaque para a indústria e varejo (menos dependente da agropecuária), que apontam recuperação ligeiramente superior à prevista. Tivemos um segundo trimestre relativamente bom, mas ainda dependente de fatores pontuais, como a liberação das contas inativas do FGTS, que deram um bom empurrãozinho no crescimento do consumo (de +1,4% em relação ao primeiro trimestre). Apesar desse fato pontual, nosso cenário básico prevê que o consumo privado persistirá liderando o processo de retomada da economia, muito em função do aumento do poder de compra, derivado da descompressão inflacionária dos alimentos e do afrouxamento da política monetária, com melhora das perspectivas de crédito e redução do endividamento das famílias. A queda do nível de desemprego, também mais forte do que esperado, é outro combustível para a onda de otimismo, independentemente de a reação ter sido majoritariamente localizada no setor informal.

Contudo, as perspectivas positivas ajudam muito na recuperação econômica, mas por si só não bastam para construir a retomada sobre fundamentos econômicos sólidos e resistente a choques adversos. Lembrando que o Brasil tem sido beneficiado por um cenário externo partidário, com juros globais baixos, abrandamento do dólar e atinente pressão nos preços das commodities. Sem dúvida, o atual cenário externo é uma janela de oportunidade para o Brasil, mas que de nada adiantará se o país não estiver focado em resolver o abominável buraco-negro fiscal. Em outras palavras, reiteramos que o acerto das contas públicas é condição sine qua non para que a retomada do crescimento econômico aconteça de forma sustentada. As reformas vão continuar sendo fundamentais. Assim, nossas projeções permitem acreditar que a economia brasileira crescerá em torno da mediana de 0,5% em 2017 e de 2,5% em 2018.

Nível de Atividade

A melhora das expectativas para a economia este ano não se deve apenas ao desempenho da agropecuária: os dados de produção industrial, do comércio varejista e dos serviços vêm apontando desde maio aceleração do ritmo de crescimento.

Mercado de Trabalho

O desempenho tem sido melhor que o esperado: CAGED e PNADC. A redução da taxa de desemprego é explicada principalmente por um crescimento mais vigoroso do emprego informal.

Inflação

Apesar das notícias animadoras de queda na inflação, parece inevitável uma elevação nos preços para os próximos meses e em 2018. Ainda que a safra do próximo ano seja boa, não há como esperar nova redução significativa de preços de alimentos. A aceleração, contudo, não deverá trazer ameaça ao cumprimento da meta. A economia, cuja retomada é cada vez mais evidente, precisa absorver um imenso contingente de desempregados e um elevado grau de ociosidade nas indústrias antes que se volte a falar de pressões inflacionárias.

Política Monetária

Tudo leva a crer que a taxa básica de juros fechará 2017 à taxa anual de 7%, devendo se manter nesse patamar ao longo de 2018.

Política Fiscal

A expectativa é que a redução dos juros nominais tenda a diminuir o ritmo de crescimento da dívida pública, mas não o suficiente para estabilizá-la. O resultado primário tende a continuar deficitário pelos próximos anos, gerando ainda mais pressão para o encaminhamento de reformas que visem a sanar as contas públicas. A situação fiscal preocupa, mesmo com sinais nítidos de melhora da economia.

Setor Externo

O processo de melhora nos últimos meses não só ganhou sobrevida como se intensificou. O esperado aumento do déficit em conta corrente a partir do final deste ano constituiria uma boa notícia, pois seria resultado da consolidação e aceleração do processo de recuperação da economia brasileira.

Cenário Internacional

Acreditamos que a inflação e os juros nos EUA continuarão “bem comportados”.

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