Vendas no varejo têm recuo inesperada em maio, de 0,1% contra abril

As vendas do comércio brasileiro registraram queda inesperada em maio, com fortes perdas no setor de vestuário e calçados, o que denota dificuldade de recuperação consistente da atividade econômica em meio ao cenário de fortes incertezas políticas. As vendas do comércio varejista restrito, que excluem veículos e material de construção, voltaram a cair em maio, após interromperam dois meses consecutivos de queda em abril, e recuaram 0,1%, em base mensal com ajuste sazonal, informou o IBGE nesta quarta-feira. O resultado contrariou a previsão de alta de 0,3%, conforme cenário da REAG. Já na comparação com maio de 2016, as vendas no varejo subiram pelo segundo mês consecutivo, em +2,4%. O resultado ficou abaixo da mediana das previsões, de +2,7%. Até maio, as vendas no varejo acumulam quedas de 0,8% no ano e perda de 3,6% nos últimos 12 meses.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 0,70% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas do consenso de mercado, que esperavam desde uma queda de 2,10% a uma alta de 1,50%, com mediana positiva de 0,30%. Na comparação com maio de 2016, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 4,5% em maio de 2017, interrompendo sequência de 35 taxas negativas consecutivas nessa comparação. Esse desempenho foi influenciado principalmente pelas vendas de veículos, que em maio de 2017 registraram aumento de 4,5%, após uma sequência de 38 meses de taxas negativas para a atividade. Apesar de aparentemente uma boa notícia, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 0,60% no ano e redução de 5,2% em 12 meses.

Vale lembrar que no mês de maio acontece a comemoração do Dia das Mães, que é uma data na qual o comércio varejista historicamente alcança taxas positivas. Porém, em função da crise, nos últimos dois anos o comércio no mês de maio registrou quedas de 4,5% em 2015 e de 9,0% em 2016. A leitura de maio de 2017, positiva em 2,4%, é o melhor para o mês nos últimos três anos. Porém, a influência do dia das mães em maio de 2017 deve ser relativizada por conta da base de comparação baixa (ano de 2016) e da influência do efeito calendário, com diferença de um dia útil a mais em maio de 2017 (22 dias) sobre maio de 2016 ( 21 dias). Para este ano, a REAG prevê alta para o varejo brasileiro em torno de 2% tanto para o conceito restrito quanto o ampliado.

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Enquanto a confiança não voltar a acelerar, o varejo vai continuar patinando, e isso depende muito do cenário político. Para junho aumenta a possibilidade de observamos nova deterioração no volume de vendas. Por outro lado, o setor de supermercados e produtos alimentícios, que têm peso importante no consumo das famílias, registrou alta de 1,4% pelo segundo mês seguido de resultado positivo. Se por um lado o arrefecimento dos níveis de preços, historicamente baixos, favorece o consumo, por outro o país sofre com a recessão e a forte crise política que vem abalando a confiança desde meados de maio. Lembrando que o presidente Michel Temer foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo crime de corrupção passiva com base nas delações de executivos da JBS, que vieram à público em meados de maio. O temor dos agentes econômicos é de que o andamento da reforma da Previdência, considerada essencial para colocar as contas públicas em ordem, seja cada vez mais afetado no Congresso Nacional.

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