Além do IPCA, INPC e IGP-DI vêm negativos em junho e trazem à luz a discussão sobre o lado perverso da deflação

Puxada pela queda nos preços dos alimentos, a deflação de 0,23% medida pelo IPCA em junho veio abaixo do consenso de mercado (mediana de -0,18%) e foi o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, além de representar o primeiro resultado negativo da série histórica desde junho de 2006, quando o índice registrou deflação de 0,21%. Os dados foram divulgados na manhã desta sexta-feira, pelo IBGE. Além do IPCA, outros dois indicadores de inflação divulgados nessa sexta-feira também vieram com sinal negativo. O INPC recuou 0,30% em junho, ante um aumento de 0,36% em maio. Além disso, o IGP-DI registrou deflação de 0,96% em junho, após deflação de 0,51% em maio. Em 12 meses, o IGP-DI acumula deflação de 1,51%. Apesar de a inflação descontrolada ter sido sempre o grande fantasma da economia brasileira, quando os preços recuam, a impressão é de que a economia melhorou. Afinal, tudo fica mais barato e o brasileiro pode consumir mais com a mesma quantia de dinheiro. Essa conclusão, contudo, é integralmente equivocada para a atual conjuntura.

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A trégua na elevação generalizada dos preços em junho está atrelada basicamente a três fatores com origens diferentes. O primeiro deles deles é o recuo nos preços dos alimentos e bebidas, que ficaram menos salgados neste ano em razão da supersafra de grãos que não se repetirá no segundo semestre. O segundo fator diz respeito à própria recessão e o terceiro vem dos preços administrados, aqueles controlados pelo governo, como os de energia e combustíveis, que também passaram a recuar. Mas o que nos preocupa mesmo é a recessão por trás da deflação. Nesse caso, a puxada para baixo nos preços deve-se às quedas no consumo e no investimento.

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Em outras palavras, a deflação é tão ruim ou até pior que a inflação muito alta quando vira uma tendência. O motivo é simples: quando os preços caem demais, as pessoas deixam de consumir, os empresários deixam de investir e passam a poupar, acreditando que o dinheiro valerá mais no futuro. Isso alimenta uma nova queda de preços, puxando a economia para baixo. Nesse ciclo vicioso, os consumidores compram menos e forçam as empresas a reduzir preços.

Apesar de a deflação acender a luz amarela, não esperamos que a queda nos preços seja uma tendência crônica nos médio e longo prazos, como ocorre no Japão, onde as pessoas esperam para comprar porque a expectativa é de que o preço estará mais baixo no mês seguinte. No Brasil, achamos pouco provável haver deflação estrutural devido basicamente à existência de uma robusta demanda reprimida.

Esperamos que o IPCA passe a acelerar, ainda que moderadamente, ao longo de julho, pois projetamos que o grupo alimentação e bebidas moderará sua deflação, bem como pelas altas de energia elétrica e recreação (devido às férias de julho). Para julho esperamos inflação de 0,20%, com o ano de 2017 fechando com o IPCA em +3,6%. Apesar das deflações apuradas pelos índices de preços em junho, mantemos nossa posição de que o Copom cortará em 75 basis-points a Selic na próxima reunião.

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