Pela 1ª vez em 14 anos, CMN reduz meta de inflação

Após 14 anos coma meta da inflação brasileira em 4,5%, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu nesta quinta-feira, 29 de junho, estabelecer uma referência menor. A meta de inflação para 2019 será de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual, para mais ou para menos. Isso significa que o Banco Central, em 2019, vai perseguir os 4,25%, mas o IPCA poderá ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a instituição tenha descumprido o objetivo. Para 2020, a meta de inflação perseguida pelo BC será de 4,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Em outras palavras, o centro da meta será de 4,00%, mas o IPCA poderá ficar entre 2,5% e 5,5%.

Desde 2005, sem interrupções, o CMN vinha estabelecendo a meta da inflação em 4,5%. Esta é, inclusive, a referência para 2017 e para 2018. Só que o fato de a inflação para anos à frente estar ancorada abriu espaço para que o conselho, desta vez, estabelecesse um valor menor. Desde 3 de abril deste ano os economistas do mercado financeiro projetam, conforme o relatório Focus, do Banco Central, inflação de 4,25% para 2019. Assim, ao estabelecer a meta neste patamar, o CMN não gera nenhum custo adicional para o Banco Central, em matéria de política monetária, para conduzir as expectativas, já ancoradas. No último boletim Focus, divulgado no começo desta semana, os analistas de mercado consultados pelo BC também projetaram uma inflação de 4,25% em 2020.

 IPCA

No acumulado de 12 meses o IPCA chegou a 3,6% em maio passado. Números oficiais mostram que a inflação ficou bem acima da meta central do governo em 11 dos 18 anos completos de existência do sistema de metas. A inflação ficou abaixo da meta central somente em quatro anos: 2000, 2006, 2007 e 2009. Entre 1999 e 2016, a inflação média do país foi de 6,83%, enquanto a meta central “média” foi de 4,72%. Ou seja, o IPCA ficou, pela média, 45% acima da meta central desde a início do sistema de metas. Nos últimos cinco anos, o IPCA tem ficado bem distante do centro da meta de 4,5% e mais próximo ao teto de 6,5%. Entre 2012 e 2016, a inflação variou de 5,84% a 10,67%.

ipca grafico

Com a inflação bem-comportada em 2017, o país passa por uma situação conjuntural favorável para assumir um corte na meta central de inflação de 2019. Na nossa opinião, a meta central de 4,25% para 2019 é factível, porque representaria um corte modesto. Contudo, a REAG sustenta que o Brasil poderia ampliar a discussão para a adoção do chamado “núcleo de inflação”. Por essa metodologia, são eliminadas, a cada mês, as maiores e menores variações dos preços que compõem o índice cheio. De acordo com o Banco Central, o método do núcleo permite distinguir, nos preços, “movimentos transitórios e pontuais” de “alterações persistentes e generalizadas, fornecendo uma informação mais precisa sobre a tendência dos preços.” Entendemos que ter o núcleo como alvo para as metas é uma forma de evitar, por exemplo, que aumentos de preços de “commodities” (produtos básicos com cotação internacional, como minério de ferro e petróleo) pressionassem a inflação. A medida pode reduzir a necessidade de aumento dos juros.

 Central Banking News

Destacamos, ainda que para padrões internacionais, a meta de inflação brasileira é elevada, de acordo com levantamento do site Central Banking News. Os sistemas, porém, não são iguais em todos os lugares. A grande maioria dos países adota um sistema igual ao do Brasil (meta central e intervalo de tolerância para cima e para baixo), mas parte das nações indica apenas a meta na qual a autoridade monetária do país está mirando ao fixar os juros básicos. Outros estabelecem um intervalo de tolerância, sem meta central.

Dos 64 países que adotam o sistema de metas de inflação, 22 possuem metas mais altas do que a brasileira, entre elas Argentina, Belarus, Gana, Geórgia, Cazaquistão, Quênia, Quirguistão, Malawi, Mongólia, Moçambique, Paquistão, Ucrânia, Zâmbia. Três nações têm, neste ano, uma meta central igual à do Brasil: Paraguai, Jamaica e Honduras. Outros 38 países possuem metas mais baixas, entre eles Estados Unidos, Chile, China, Canadá, República Tcheca, Hungria, Islândia, Israel, Japão, México, Peru, Rússia, Reino Unido, Tailândia, Suíça e Coreia do Sul.

 

Países que adotam o Sistema de Meta de Inflação – 2017

central banking target table.png

NOTES
1) 8% end-2017, 6% end-2018, 5.0% end-2019 (all +/-2%)
2) 5% by 2020
3)  Target for June 2016 implies measures to reach avg. 21% for calendar yr
4) Target for fiscal 2016
5) Target for 2016-2018
6) 4.0% target 2017, 3.0% later years
7) target for 2016 & 2017. 5-7% for 2018, 3-4% by 2020
8) for 2017, 8%-12% for 2018, 5% for 2019
9) CCP National Congress
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