Dados da indústria em março mostram indícios de recuperação frágil e irregular

A produção da indústria brasileira caiu 1,8% em março na comparação com fevereiro. Entretanto, frente a março de 2016, a atividade industrial aumentou 1,1%, após cair 0,8% em fevereiro e avançar 1,4% em janeiro. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE. Esse foi o pior resultado mensal desde a queda de 3,3% em agosto de 2016 e o março mais fraco desde o início da série histórica, em 2002. Em meio à oscilação de ganhos e perdas, nossa avaliação é de que a indústria caminha discretamente para a recuperação, a qual deverá ser frágil e irregular.

Nossa análise é corroborada pelo resultado trimestral, o qual aponta alta de 0,6% no primeiro trimestre de 2017 na variação interanual e crescimento de 0,7% frente ao mesmo trimestre do ano passado. No acumulado do ano, é a primeira alta desde 2014. É importante destacar que a indústria também apresentou expansão entre o segundo e o terceiro trimestre de 2016, contudo a aparente melhora não se consolidou. De acordo com nossos estudos, há indicativos de que o segundo trimestre de 2017 pode apresentar movimento de inflexão parecido basicamente por conta da menor quantidade de dias úteis e pela desaceleração de segmentos relevantes.

Destacamos, contudo, que a principal diferença entre os dois pontos de inflexão é que hoje vivemos em um ambiente macro de forte descompressão dos preços, o que tem impactado positivamente a renda real apesar da taxa de desemprego recorde, além de termos atualmente uma diretriz mais agressiva da política monetária, a qual era bastante contracionista até o início do quarto trimestre do ano passado e desde então adentrou em uma trajetória clara de distensão. A taxa média anual da Selic deverá cair dos 14,15% em dezembro de 2016 para algo em torno de 9% ao final deste ano.

Nossa estimativa preliminar para a produção industrial de abril indica alta de 0,4% sobre março. Para o acumulado deste ano, projetamos crescimento entre 1,5% e 2,5%. Tal cenário considera estabilizada a crise política gerada pela Lava-Jato e admite como elevada a probabilidade de aprovação das reformas pelo Congresso.

grafico - industria março

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