Agenda Econômica Semanal – 6 a 12 de fevereiro de 2017

Inflação, Congresso e Trump estão no radar do mercado nesta semana

A agenda econômica local tem como destaque esta semana o IPCA de janeiro (quarta-feira), o qual deve confirmar a tendência baixista dos preços, reforçando as apostas de mais cortes da Selic nas próximas reuniões do Copom. Outros índices de preços esperados são o IGP-DI de janeiro (terça-feira), a primeira prévia do IGP-M de fevereiro (quinta-feira) e a primeira prévia do IPC de fevereiro da Fipe (sexta-feira).

O IPCA deve passar de 0,30% em dezembro para 0,43% em janeiro, refletindo a aceleração moderada do grupo Alimentação e bebidas por motivos sazonais, os reajustes da tarifa dos transportes públicos em várias capitais e o aumento no preço da gasolina. Apesar disso, a inflação deve ficar bem abaixo da que foi observada em janeiro de 2016 (1,27%). Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses deve recuar de 6,29% para 5,43%. O IGP-DI de janeiro deve desacelerar de 0,83% para 0,47%, puxado pela deflação dos grãos (soja, milho e feijão). O início da colheita dos grãos, o aumento da produção do feijão, a desaceleração do minério de ferro e a apreciação da taxa de câmbio (na média de 4,3% no período) ajudam a explicar esse movimento. Os IPCs da 1ª quadrissemana de fevereiro devem mostrar desaceleração. O índice da FGV (0,69% para 0,64%) deve ter seu movimento puxado pela baixa inflação de Vestuário e Alimentação. O índice produzido pela FIPE (0,32% para 0,22%) deve ter sua variação liderada pela deflação tanto do grupo Vestuário como do grupo Habitação. Por fim, a primeira prévia do IGP-M de fevereiro deve vir com deflação dos grãos que deve perder força em função do excesso de chuvas prejudicando a safra na Argentina. Esperamos ainda desaceleração dos produtos industriais, devido à redução nos preços dos combustíveis, e a desaceleração na alta do Minério de Ferro. Assim, os dados devem apontar para continuidade da convergência da inflação para o centro da meta no final deste ano.

Em relação à atividade econômica, teremos os dados de produção e vendas de veículos da Anfavea referentes a janeiro, hoje, que deverão devolver ao menos parcialmente o forte crescimento observado em dezembro, reforçando nossa expectativa de queda da produção industrial no período. Além disso, a Conab reportará, na quinta-feira, seu levantamento da safra 2016/2017 de grãos. Cabe lembrar que a importância desse resultado se dá pelo fato de que a safra atual recorde será vetor importante de impulso para o PIB deste ano.

Já o cenário político doméstico deve ficar no radar ao longo da semana diante da expectativa de que o novo relator da Operação Lava Jato, o ministro Edson Fachin, possa decidir se haverá ou não quebra de sigilo das delações da Odebrecht. Além disso, nesta semana devem ser definidas as composições das comissões da Câmara e do Senado, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cujo comando tem gerado disputas dentro do PMDB. O vencedor da disputa será responsável por conduzir a sabatina e votação do próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá ser escolhido pelo presidente Michel Temer para o lugar de Teori Zavascki nos próximos dias.

No exterior, os mercados financeiros na Europa e Nova York buscam firmar uma direção nesta manhã, em meio a notícias ligadas a políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As bolsas dessas praças subiram na sexta-feira com a decisão do novo presidente norte-americano de diminuir a regulação no sistema financeiro do país e a imposição de novas sanções ao Irã. A notícia impulsionou hoje as bolsas asiáticas e os investidores digerem ainda a decisão de ontem de um tribunal federal de apelação dos EUA de negar o recurso de Trump para restaurar imediatamente o veto a viajantes de sete países e todos os refugiados.

Os destaques da agenda semanal de indicadores dos Estados Unidos são o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan (sexta-feira), a balança comercial de dezembro (terça-feira) e o Índice de Tendência de Emprego de janeiro do Conference Board (segunda-feira). O USDA divulgará seu relatório mensal da produção mundial de grãos, na quinta-feira, que deverá mostrar continuidade do cenário favorável para a produção. Entre os eventos, merecem atenção na quinta-feira os discursos de representantes do Federal Reserve (Fed) James Bullard e Charles Evans, com poder de voto neste ano, bem como a visita na sexta-feira do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, ao presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca.

Na Europa, serão conhecidos a produção industrial da Alemanha (terça-feira) e do Reino Unido (sexta-feira). Entre os eventos, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, participa nesta segunda-feira do Comitê Econômico e de Assuntos Monetários. Na Quarta-feira, no Reino Unido, o projeto de lei do Brexit deve passar por rodada final de votação na Câmara dos Comuns. Se aprovado, irá para apreciação na Câmara dos Lordes. Na sexta-feira (10), a Agência Internacional de Energia divulga seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo.

agenda-6-fevereiro-tabelaNa Ásia, as atenções estarão voltadas à divulgação dos indicadores referentes a janeiro. Conheceremos os dados de reservas internacionais, balança comercial e do mercado de crédito da China, durante esta semana, após os índices PMI sinalizarem relativa estabilidade da economia chinesa no início deste ano.

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