2016 tem desemprego recorde de 11,5% e perda de R$ 6,5 bilhões em rendimentos

A taxa de desocupação no país atingiu 11,5% (média anual) da força de trabalho em 2016, o que representa 11,7 milhões de desempregados e a retirada de R$ 6,5 bilhões em salários da economia ao longo de todo o ano passado, informou o IBGE nesta terça-feira. É a maior taxa já registrada pelo IBGE na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em 2015, a taxa média do ano já havia atingido 8,5%, com 8,6 milhões de pessoas desempregadas, contra os 6,8% do ano anterior. A massa de rendimentos, por sua vez, recuou 3,5%, de R$ 185,354 bilhões em 2015 para R$ 178,865 bilhões em 2016.

Nosso cenário macroeconômico prevê a manutenção do cenário de deterioração do mercado de trabalho ao longo de 2017 e do primeiro semestre de 2018 como reflexo de um ajuste moroso e gradual do emprego, que reage retardatariamente à lenta retomada da economia. Após um longo período de demissões e contração econômica, a expectativa é de termos um novo ambiente de trabalho no país, caracterizado pela piora do emprego formal, maior procura de trabalho por idosos e jovens e aumento das atividades informais ou por conta própria como alternativa para compor a renda familiar. Nesse sentido, esperamos que somente a partir do final de 2018 o realinhamento das expectativas para um cenário mais firme de retomada deve trazer o nível da taxa de desemprego de volta para um patamar próximo a 11%.

Se nossas estimativas se confirmarem, o total de desempregados no país passaria de 12,3 milhões no trimestre encerrado em dezembro de 2016 para algo em torno de 13,8 milhões no início do segundo trimestre deste ano, ou seja, um novo recorde da série histórica da Pnad Contínua. Projetamos uma deterioração adicional das condições do mercado de trabalho em 2017, com o pico em abril de 2017, quando prevemos que a taxa de desemprego atinja 13,7%. Nosso cenário é compatível com a taxa de desemprego mantendo-se estável no 3º trimestre e gradualmente declinando a partir do 4º trimestre de 2017, mas retomando a crescer sazonalmente nos dois primeiros trimestre de 2018. Estimamos ainda que a taxa média de desemprego registrada ao longo do ano deve avançar de 11,5% em 2016 para algo próximo a 13% em 2017, recuando para o patamar de 12% somente em 2018.

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Trimestre

No quarto trimestre de 2016, o IBGE calculou a taxa de desemprego em 12%, a maior da série, praticamente estável em relação ao terceiro (11,8%) e com crescimento de 3,1 pontos ante igual período do ano anterior. O número de desempregados foi estimado em 12,342 milhões, crescimento de 2,7% ante o trimestre julho/setembro e de 36% sobre o último período de 2015 (mais 3,269 milhões de pessoas nessa condição).

Os ocupados (90,262 milhões) aumentaram 0,5% no trimestre (427 mil) e caíram 2,1% em 12 meses, perda de 1,983 milhão. Eram 34,005 milhões de empregados com carteira assinada no setor privada, quedas de 0,5% e de 3,9%, respectivamente (menos 1,398 milhão na segunda comparação). O rendimento médio (R$ 2.043) ficou estável tanto no trimestre como na comparação com o último período de 2015. E a massa de rendimentos (R$ 180 bilhões) cresceu 1,2% ante o terceiro trimestre e manteve-se praticamente estável em 12 meses.

Vale ressaltar que apesar de certa melhora na taxa de ocupação, a conjuntura atual não nos leva a ficar otimistas quanto à taxa de desemprego: o efeito defasado da atividade fraca e inflação elevada deve fazer o retorno das pessoas à força de trabalho se dar de forma mais intensa que o projetado anteriormente – para o trimestre encerrado em janeiro, nossa projeção para taxa de desocupação passou de 12,4% para 12,6%.

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