Taxa de desemprego fica em 11,8% no 3º trimestre, maior patamar da série desde 2012

O desemprego se mantém em alta, a renda familiar encolhe e o consumo deve continuar deprimido ainda por um tempo, antes de alguma animação aparecer nos mercados. É o que se pode concluir do resultado da Pnad Contínua de setembro divulgada hoje, a qual aponta taxa de desemprego em 11,8% no terceiro trimestre de 2016, posicionando-se no maior patamar já apurado pela série histórica do levantamento, iniciado em 2012 pelo IBGE. Esse resultado ficou bastante além do medido em igual período do ano passado, quando a taxa de desocupação era de 8,9%, um crescimento de 0,5 ponto percentual em relação ao período entre abril e junho deste ano (desocupação de 11,3%), mas mantendo-se estável em relação ao trimestre encerrado em agosto deste ano (também em 11,8%).

Isso significa que o país tem hoje 12 milhões de pessoas sem emprego, 437 mil pessoas desocupadas a mais do que no trimestre de abril a junho, e mais de 3 milhões de pessoas em comparação a igual período de 2015. Considerando o comparativo com o terceiro trimestre de 2015, o aumento do desemprego foi provocado pela entrada de 788 mil novas pessoas no mercado de trabalho. Além de todo esse contingente não ter encontrado uma vaga, mais 2,255 milhões perderam o emprego. Em relação ao intervalo de abril a junho de 2016, havia 527 mil pessoas a menos no mercado de trabalho, mas houve demissão de 963 mil pessoas. Assim, o número de pessoas ocupadas diminuiu 2,4% ante o mesmo período de 2015 e caiu 1,1% ante o segundo trimestre, para 89,835 milhões. Em outras palavras, a população em idade de trabalhar continuou em crescimento e, ao mesmo tempo, mais pessoas saíram de casa em busca de algum dinheiro para a família.

Nossas projeções apontam que o ciclo de alta da taxa de desemprego ainda não chegou ao fim, apesar de a pesquisa trazer um alento, dado que a taxa de ocupação apresentou desaceleração do ritmo de queda, o que pode significar que a forte destruição de vagas de empregos está chegando ao fim. Para que a taxa de desemprego fique estável, é necessário que o crescimento do pessoal ocupado seja igual ao da força de trabalho, ou seja, a oferta de empregos deve acompanhar o ritmo de crescimento da demanda por vagas de trabalho. Segundo projeção da REAG, conforme pode ser visto no gráfico abaixo, a taxa de desemprego deve atingir seu auge entre os meses de março e abril de 2017, quando deve corresponder a 13,7%. Vale destacar que os meses de março e abril normalmente apresentam taxas de desemprego mais elevadas em relação aos outros meses do ano, devido às demissões dos funcionários temporários contratados no fim do ano.

Diante da perspectiva da manutenção da retração na atividade econômica no curto prazo, embora com redução da velocidade de queda, não devemos esperar recuperação significativa do mercado de trabalho antes do final do primeiro trimestre do ano que vem.  Pelo contrário, dado que as empresas demoram um tempo para contratar e demitir frente a mudanças em sua demanda, espera-se que o mercado de trabalho continue o processo recessivo de ajuste. Diferente de 2015, onde o ajuste mais forte se deu no setor industrial e na construção civil, em 2016 acredita-se que o setor de serviços (inclusive comércio) seja o principal responsável pelo aumento do desemprego.

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