Copom e Banco Central divergem sobre prazo da conversão da inflação para o centro da meta

Embora o Copom aposte que IPCA convergirá para o centro da meta (+4,5%) em 2017, o Banco Central (BC) faz uma previsão diferente: a inflação ficará um pouco acima do centro (+4,7%), indo ao seu encontro somente em 2018, segundo divulgado hoje no Relatório Trimestral de Inflação (RTI). No cenário de referência do BC, a projeção de inflação no primeiro trimestre de 2018 chega a 4,4%, caindo a 4,2% nos três meses seguintes. Além disso, o BC piorou sua estimativa para o IPCA em 2016, que deve atingir 6,9%, ante 6,6% previstos anteriormente, estourando o teto da meta (6,5%) e ficando longe do centro. Assim como os números do cenário de referência em 2016 foram revisados para cima, os do cenário de mercado também subiram, passando de 6,9% para 7%. Já as apostas para 2017 divergem: enquanto o cenário de referência do BC espera que a alta nos preços recue de 4,9% para 4,7%, o cenário do mercado prevê que haja uma ligeira subida de 5,4% para 5,5%, com o IPCA se mantendo acima do centro da meta, em 5,5%, no primeiro semestre de 2018.

Isso demonstra o elevado nível de incertezas que permeiam as projeções de inflação no curto prazo, assim como a falta de unicidade entre o Copom, o Banco Central e o mercado. Muito provavelmente, a dissonância entre as previsões do Copom e do BC (RTI) esteja atrelada à transição entre Alexandre Tombini e Ilan Goldfajn na liderança do BC. Por outro lado, observa-se que todas as expectativas acerca do nível de preços para este ano convergem no que diz respeito à persistência da pressão inflacionária por mais tempo do que o esperado.

Observa-se ainda que o RTI mudou a ênfase da diretoria colegiada do BC ao falar da adoção de medidas necessárias para assegurar o cumprimento do regime de metas. Agora, essas ações não mais se dirigem aos preços em 2016, sendo apenas relacionadas à convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017. Até o relatório de março, escrito ainda sob o comando de Tombini, o BC dizia que adotaria essas medidas necessárias para circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN em 2016. Agora, o primeiro documento de Goldfajn, sustenta a adoção de medidas à promessa de entregar a inflação no centro da meta no próximo ano.

Para a REAG, o RTI do segundo trimestre de 2016 sinaliza uma postura mais dura da autoridade monetária em relação ao combate à inflação, o que justifica nossa posição de que a Selic poderá se manter no atual patamar de 14,25% ao ano até a reunião de outubro do Copom.

RTI 2T16 GRAFICO 1

RTI 2T16 TABELA 1

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