Deterioração generalizada do mercado de crédito deve se manter até o final do ano

Os dados de abril sobre o mercado crédito refletem a continuidade da deterioração generalizada desse segmento, sustentada pela queda da atividade econômica. A oferta, tanto de recursos livres quanto direcionados, recuou em todas as comparações. Já a demanda tem registrado desaceleração na leitura interanual. A inadimplência e o spread, por sua vez, continuam a avançar. A REAG projeta manutenção do movimento de desaceleração do mercado de crédito para 2016, apesar de apostar que o ritmo desacelere até o final do ano.

O saldo total de crédito apresentou queda de 0,6% em abril comparativamente a março, a primeira queda mensal para meses de abril desde 2003. Na ocasião, o estoque de operações de crédito do sistema financeiro somou R$ 3,1 trilhões. No acumulado em 12 meses, o saldo total de crédito desacelerou de +3,3% YoY em março para +2,7% em abril.

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No que diz respeito à inadimplência, a REAG acredita que esse indicador ainda seguirá em alta nos próximos meses frente ao cenário econômico recessivo e à deterioração da saúde financeira das empresas e famílias. Esse movimento de desgaste no nível de inadimplência, contudo, tem sido relativamente contido por conta do maior comprometimento da renda das famílias com despesas futuras, da posição mais criteriosas das instituições financeiras na análise de risco dos empréstimos e da postura de postergação dos investimentos empresariais, em compasso de espera frente às incertezas no campo político-econômico.

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A REAG mantém a aposta em um cenário de crédito contraído em 2016, dada a perseverança do ambiente econômico recessivo associado à degradação do mercado de trabalho e às incertezas que permeiam o ambiente político. O nível de confiança dos agentes econômicos se manterá em patamares relativamente baixos corroborando nosso horizonte de curto prazo reprimido para a indústria de crédito. Ademais, os bancos tendem a agir de forma mais cautelosa na avaliação de risco de novos empréstimos dada a perspectiva de crescimento da inadimplência.

Nesse contexto, nossa projeção é de que a oferta total de crédito (saldo) retrocederá em torno de -0,5% em 2016, sendo essa a primeira queda anual da série histórica, iniciada em 2008. Para a inadimplência, a REAG espera que o indicador oscile em torno dos 4% em 2016.

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