Produção industrial recua 11,4% na comparação interanual, mas cresce 1,4% na margem: freada fica menos brusca

A produção industrial brasileira tombou 11,4% em março na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo os dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. Foi a 25ª queda seguida na comparação anual (figura 1). E, quando analisados os dados no acumulado dos três primeiros meses do ano, a queda está em 11,7% (figura 2). Este é o pior primeiro trimestre da indústria desde 2009, quando recuou 14,2%. No acumulado dos últimos 12 meses, a queda foi de 9,7% refletindo perda mais intensa nessa comparação desde outubro de 2009, quando recuou 10,3%.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL MARÇO 2016 FIGURA 1

PRODUÇÃO INDUSTRIAL MARÇO 2016 FIGURA 2

PRODUÇÃO INDUSTRIAL MARÇO 2016 FIGURA 3

Já frente a fevereiro, a produção física industrial de março, na série com ajuste sazonal, registrou expansão de 1,4% (figura 4), ante queda de 2,7% no mês anterior devido basicamente à gradual normalização de estoques e ao avanço nas exportações de alguns setores. Assim, é factível afirmar que o resultado de março compensa a retração de fevereiro, reiterando nossa posição de que a produção industrial sucede por um período de quedas mais moderadas. Por outro lado, apesar do resultado positivo na análise marginal, vale ressaltar que a indústria está produzindo em patamar semelhante a janeiro de 2009 e 20,5% abaixo do pico da série, registrado em junho de 2013. Além disso, no acumulado do primeiro trimestre de 2016, em relação aos três meses anteriores, a indústria registrou queda dessazonalizada de 2,3%. Se por um lado esse foi o 8º trimestre consecutivo de recuo nessa comparação, por outro lado essa foi a queda menos intensa desde o final de 2014. Ainda que o empresário esteja um pouco mais confiante e que os estoques estejam mais adequados à nossa realidade, não é plausível afirmar que a indústria esteja a caminho de uma sólida trajetória de reversão da tendência de queda.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL MARÇO 2016 FIGURA 4

Para o fechamento de 2016 a projeção da REAG aponta queda de 6% (figura 5)na produção física da indústria, ante recuo de 8,3% em 2015. Esperamos ainda que na comparação mensal para os próximos meses a indústria oscile entre taxas positivas e negativas, com recuos mais moderados na comparação interanual.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL MARÇO 2016 FIGURA 5

 

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